segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Sobre curtir a vida




Sempre achei que curtir a vida fosse viajar, ter fruição estética, experiências amorosas, sexuais, etc. Mas nunca pensei que isso necessariamente tivesse que incluir o dado quantitativo.
“Quanto mais melhor” sempre me pareceu uma máxima para pessoas que “remoem pequenos problemas”, como cantou Cazuza; pois quantidade cai muito bem com pequenez de princípios.
O fato é que ultimamente tenho notado que isso vem se expandindo de maneira absurda entre a juventude.
Os carnavais fora de época até saíram de moda. Porém, o espírito do mais beijos e mais trepadas é igual a mais status ficou, para o bem daqueles que cultivam cotidianamente a sua mediocridade.
Vá lá que as oportunidades devem ser aproveitadas: se duas pessoas interessantes te aparecem numa noite (qual mandinga você fez pra merecer tanto?), que mal há em experienciar isso? Mas, se você precisa da quantidade, se acha que passar anos com uma mesma pessoa é perda de tempo, de testosterona (serve pras mulheres também) e de orgasmos; então, querido amigo, (me refiro aos dois sexos: perdoem-me as feministas) o seu ângulo de visão não sai do espaço que marca o início e o fim do seu falo (aqui também cabe o correspondente feminino).
Ouvi alguém aí falar em instinto? Claro, o instinto também conta (e nesse capítulo os homens largam na frente). Somos movidos a instinto a todo momento, quando atravessamos a rua olhando pra todos os lados, quando trabalhamos pra ganhar dinheiro, quando usamos camisinha (ou anticoncepcional). Tudo isso é puro instinto (sinto até o cheiro dos hormônios).
É evidente que o instinto existe e que não devemos deixar de satisfazer as necessidades provenientes dele. Contudo, achar que essa máxima de curtir a vida passa por instintos que levam à busca pela quantidade nas experiências, no sexo etc. não passa de desculpa para Amélia dormir.
Mas, se ainda assim você acreditar no conto dos instintos, comece a dar verossimilhança a sua narrativa; o primeiro passo é levar os dois membros superiores (aqueles dois de cima, com os quais você digita as mensagens, escreve, etc.) em direção ao chão e apoiá-los bem. Pronto, agora aprenda a latir, grunhir, ganir...

14 comentários:

Ernani Vilachan disse...

Parabéns Carol...O Blog ficou lindo. O nome, a foto, a cor e, claro o conteúdo...

Creio que será um excelente exercício para voce, além de um prazer a mais....

Beijos, estarei sempre navegando por aqui..Boa Sorte... Nani

Lou Porto disse...

Naninho, muito obrigada!! Um elogio vindo de uma pessoa tão inteligente e perspicaz como você é sempre maravilhoso. Beijos.

Camila Fernández disse...

Ficou lindo mesmo! Faço minhas as palavras de Nani.

Adorei o texto, muito bem escrito, inteligente e humorado (o perigo vai ser encontrarmos algumas pessoas com seus membros utilizados para digitação em uma posição que lembre uns certos animais de estimação).

Não sou crítica, nem 'boa entendedora', mas sei que gostei muito do que vi aqui!

Beijão!

Lou Porto disse...

Mila, vc é crítica na medida certa. Beijão.

Lívia Cirne disse...

Instintivamente, admito logo que, apesar da gastrite, serei uma leitora assídua.

Além do discurso cítrico, a imagem está super contemporâneo, visto que o mercado da fruticultura nunca esteve tanto na moda como hoje, com a proliferação das mulheres-frutas.

Beijos, Carolzinha!

Lou Porto disse...

kkkkkkkkkkkkkk. Mais cítrica impossível, Lívia. Beijos.

Gustavo Paraiso disse...

Hello Prego!!!
Agora com mais esse canal para exercitar seu "doce e amargo" prazer pela escrita. Muito bom mesmo!!!
Texto massa, e com uma dose correta de "agridoce" nas palavras.....
SORTE PRA VOCE!!!
Beijão.

Lou Porto disse...

Valeu pela visita, Guga. Sorte pra vc também. Beijão.

daniel sampaio disse...
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Cibelly Correia disse...

adorei Carol...

texto fantástico, com uma pitada ácida de humor e um alto teor de sarcasmo... mas deliciosamente prazeiroso em ler...
e antes de mais nada... verdadeiro...

Lou Porto disse...

Valeu, Ciba!! Beijão.

Lou Porto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Amador Ribeiro Neto disse...

Carol, muito bom ver este nível de reflexão vindo da juventude, hehehe... Eu penso como tu, mas creditava isto à faixa etária. Vejo que não. Bom podermos partilhar estas idéias. Beijo.

Lou Porto disse...

Amador, não é questão de faixa etária nem de gênero (como alguns pensariam). Beijão.