domingo, 1 de fevereiro de 2009

O curioso caso de Benjamin Button


“O curioso caso de Benjamin Button” (EUA, 2008) do diretor David Fincher, baseado num conto de F. Scott Fitzgerald, narra a história de um homem (Benjamin Button, interpretado por Brad Pitt) que nasce velho e, consequentemente, se torna mais jovem com o passar dos anos.
Apesar de a narrativa ter início pelo caso do relógio construído para andar em sentido anti-horário, indicando uma relação com o nascimento de uma criança-velha, não há nenhum elemento no filme que aponte para uma ligação mais íntima entre o relógio e Button. Em outras palavras, a narrativa dramática do “Curioso caso de Benjamin Button” se insere no nível do fantástico, dado que não há uma explicação, nem científica, nem alógica, para aquele acontecimento.
O mundo de Benjamin Button, aliás, não é nada diferente do nosso, com o único detalhe de que o personagem principal é um jovem-velho que está habituado, desde seus primeiros grunhidos, à presença da morte.
A morte, portanto, é um dos poucos elementos que torna a vida de Button um pouco diferente da nossa – se ela o acompanha de perto no momento em que ele é um jovem-velho, ela se torna ainda mais presente quando ele se transforma num velho-jovem, pois a juventude para ele é o caminho para a morte.
Com exceção da inversão das fases da vida no caso de Button, de resto, boa parte dos problemas e sentimentos comuns a todos os humanos é vivido por ele: medo, amor e solidão. A diferença é que Benjamin chega à juventude com maturidade, o que lhe permite, de um lado, encarar o amor com mais serenidade e, de outro, ter a consciência de que a juventude, em tais circunstâncias, se torna um fardo para as pessoas que o cercam e, sobretudo, para ele mesmo.
Esta problemática é o que imprime a maior carga de emotividade ao filme, que consegue segurar o ritmo da narrativa até o auge da juventude de Button. Quando se aproxima do fim, o filme perde a cadência, se torna enfadonho e incorre em alguns clichês (como as duas aparições de um beija-flor após a morte de dois personagens). “O curioso caso de Benjamin Button” pecou por ter se alongado além do necessário. Mesmo assim, o filme vale a pena pela fotografia, pela leveza e pelas atuações de Brad Pitt e Cate Blanchett (Daisy). Em tempos de excessos e acessos de juventude, uma bela lição de que interferir nas leis da vida não nos livra do fim inevitável.

14 comentários:

Artur disse...

Mas olha que coisa, vc tá de blog, hein?! Muito bem, meus parabéns, e boa sorte na empreitada. Serei leitor assíduo. Bjs

Lou Porto disse...

hehehehehe. Tô me arriscando a fazer uma coisa que sempre gostei. Valeu pela visita, Artur. Beijão.

Anônimo disse...

Estou louca para ver esse filme...
acho que mesmo ele tendo as falhas que você citou, com certeza vale a pena assistir...
bjooooooooooo gigante

Cibelly Correia

Camila disse...

E nasce uma crítica de cinema! =)
Só hoje, com o link no email, consegui ler o texto passado. Que adorei, diga-se de passagem! Ambas. Tô achando é que as aulas vão ser escanteadas e essa vai ser a tua nova paixão... Será? Enfim, em tudo que você se mete a fazer faz bem, então tenho certeza que agora não vai ser diferente! =)

Obrigada pelas mensagens mais cedo! Não tive como respondê-las pq tava arrumando as malas, mas agora que já tô aqui em Sampa posso responder. Também já estou com saudades!

Te adoro!
Beijão!

Daniel Sampaio disse...
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Lou Porto disse...

As aulas não vão ficar escanteadas. Pretendo fazer delas meu ofício e da crítica minha diversão. Já tô com saudades de você, amarela. Curta o que Sampa tem de melhor. Beijão.

Mirar & Ver disse...

Carol, assisti ao filme e achei muito bonitos tanto a fotografia quando a direção. Sim, concordo com a longa duração desnecessária, com os clichês (apesar de, neste caso, impor mais fantástico ao caso).
O filme abre um leque de discussões sobre o tempo, principalmente.
Cate Blanchett e Tilda Swinton arrebentam, como sempre, mas o Pitt não deixa de fazer carão (rsrs), apesar de ter uma atuação satisfatória.
Boas observações as suas.
Abração

Leo

Moreira disse...
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Moreira disse...

Boa análise. Faço minhas suas palavras. Também acho que se Button não fosse Pitt seria bem melhor. Quanto a Cate acho que ela deveria fazer menos caras e bocas visando o Oscar. Me lembrou muito a Meryl Streep nos velhos tempos. Com certeza a Tilda Swinton e o marinheiro-artista salvaram o filme. Afinal, o texto é de Scott Fitzgerald. Mas sobre o tempo/morte/vida/juventude/velhice,ainda fico com o Dorian Gray de O. Wilde. Beijos querida Carol.

Lou Porto disse...

Tanto Pitt quanto Cate Blanchett têm uma atuação muito boa. Acho que eles convencem apesar dos carões como vcs (Leo e Ricardo)bem enfatizaram. Discordo de Leo apenas no que diz respeito às aparições do beija-flor. A atmosfera fantástica já estava garantida. As cenas do beija-flor são, pra mim, desnecessárias. Valeu pela visita. Beijos pra vcs.

Daniel Sampaio disse...
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Lou Porto disse...
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Tiago disse...

oi, carol... o bom filho torna à casa: tô com blog de novo. tem algumas coisas sobre cinema também, se puder dá uma passada. vou linkar o teu. beijo.

Tiago disse...

só consegui ler agora o texto. Eu acho o cúmulo da vaidade o sujeito querer rejuveLHescer (que é envelhecer ficando jovem =) e não bastasse isso ainda acabar com a cara do Brad Pitt. Dá até raiva.